quinta-feira, 6 de julho de 2017

A senhora da pastelaria

A senhora da pastelaria

(pequena crónica dedicada às minhas netas MT e MP)

        As moças tinham saído para dar um passeio pela cidade. Irmãs, uma tem vinte anos, é mais alta, alva, magra, de cabelos castanhos, lisos, e a outra tem dezassete, um pouco menos alta e magra do que a irmã, tem tez morena e cabelos pretos, encaracolados. A MariaT. é parecida com a mãe; a Maria P. é parecida com o pai, apesar de já ter havido quem as tivesse achado parecidas com a avó: eu!!!...

        Nesse dia percorreram as ruas da alta da cidade e num saltinho chegaram à baixa. É assim a cidade de Coimbra, onde a Universidade, lá no alto da colina de onde se avista Santa Clara e o belo rio Mondego, dá acesso rápido à baixa por várias ruas e escadas estreitinhas.

        Já na baixa, à hora do lanche, as jovens entraram e sentaram-se na Palmeira, pastelaria onde já a bisavó habitualmente comprava o pão e os croassãs. Pediram exatamente o mesmo que a avó pedia quando jovem, há cinquenta anos: uma bola de Berlim e um compal.

        Na mesa do lado a senhora de uma certa idade iniciou conversa com as jovens, depois de ver o que iam lanchar, dando início ao seguinte diálogo:

        - Comes bolos e bebes refrigerantes, por isso és gorda, diz a senhora referindo-se à M.P., que respondeu:

        - Eu raramente como bolos e bebo sempre água, hoje é uma exceção.

        - Se calhar nem fazem exercício!

     - Por acaso até fazemos exercício todos os dias. Todas as manhãs fazemos caminhadas e corremos durante uma hora e agora até acabámos de fazer uma caminhada!

        - Não aturam os vossos avós e estão aqui a aturar-me a mim!

        - Nós até vivemos no norte e viemos passar uma semana com os nossos avós!

        - Nem parecem irmãs: uma é magra, outra é gorda; uma é branca, outra é morena!

        - Mas somos irmãs!

        Já em casa, reproduzido o diálogo pelas minhas duas lindas netas, só nos deu vontade de rir: a velhota da pastelaria não conseguiu acertar em nada!... E se fala assim com os netos, eles não lhe irão dar a atenção que as minhas netas lhe deram. As minhas Marias são muito ajuizadas, simpáticas, delicadas, não incomodam, falam bem e baixo, coisa que não vejo em muitos dos jovens com quem me cruzo por aí. Não comem produtos processados nem fast-food, preferem água, frutas e legumes, peixe e carnes magras, e os disparates não são regra!

        São muito bem-educadas, já disseram que gostaram muito de passar esta semana com os avós, aproveitando o sol, o mar e o sossego da praia de que tanto todos gostamos.                
         Prometeram voltar!

        Quanto a nós, tivemos uma semana de grande felicidade: adorámos a companhia destas duas belas senhorinhas que fazem muito boa companhia aos avós idosos… menos difíceis de aturar do que a senhora da pastelaria!

PARA AS MINHAS NETAS VAI UM BEIJO
PARA QUEM ME LEU O MEU ABRAÇO

quarta-feira, 19 de abril de 2017

70... mais do que um número!

Há precisamente 20 anos, festejei os meus belos 50 anos... 
com a minha primeira neta nos braços,
no dia do seu batizado.
A foto desse dia não é esta, mas colocá-la-ei
quando chegar aonde a tenho!
Desse dia 19 mostro esta foto da minha neta Maria Teresa,
com seis meses, tentando abrir a garrafa
com muita atenção e habilidade! 
O tempo foi passando... e tudo o que já foi há tanto tempo...
parece-me que foi o outro dia!...
Aqui éramos ainda tão jovens... 
tínhamos aproximadamente a idade que os nossos filhos têm agora.
 A seguir, mais velhotes, mas mantendo a boa disposição,
ultrapassadas as maleitas que, de vez em quando, teimam em aparecer!

 Uns para um lado, outros para outro...
acabamos por ir ter com eles!
 Os corpos, então de uma elegância quase perfeita,
 estão agora reboludinhos... mas ainda estão cá!!!...
As mazelas já chegam para nos apoquentar!
As protuberâncias... essas são para passar adiante!...
A saúde está bem, sentimo-nos bem... então estamos bem!...
 As minhas rugas fazem questão de estragar as selfies...
e os cabelos brancos que sobressaem na cabeça dum...
insistem em desaparecer da cabeça do outro!!!...
E isso tem alguma importância?!
Claro que não!
 E se é assim muda-se o visual e eis que resolvi aparecer
de cabelo curto como quando o meu Fernando me conheceu! 
Quê?... Como quando?... Bem, foi no outro dia... só há 52 anos!...
Mas assim juntos, festejamos hoje também 48 anos de casamento 
e continuaremos a amar-nos até ao fim das nossas vidas.
 
 A quem agora por aqui passar deixo o meu habitual abraço
e desejo que volte a felicitar-nos no próximo ano! Está bem?
BEIJINHOS!